"Não quero magoá-lo, mas não posso fazer nada, preciso lhe dizer a verdade: você não sabe o que é o amor. Você não pode saber, pois ainda não entrou mais fundo em sua consciência. Você não experimentou a si mesmo e não sabe quem você é. Nessa cegueira, nessa ignorância, nessa inconsciência, o amor não cresce. Esse é um deserto no qual você está vivendo. Nessa escuridão, nesse, nesse deserto, não existe possibilidade de o amor florescer.
Primeiro você precisa estar repleto de luz e repleto de deleite, tão repleto que você comece a transbordar. Essa energia transbordante é o amor. Então, o amor é conhecido como a maior perfeição do mundo. Ele nunca é mais e nunca é menos.
Mas nossa educação é tão neurótica, tão psicologicamente doente que aniquila todas as possibilidades de crescimento interior. Desde o começo lhe ensinaram a ser perfeccionista e, naturalmente, você fica aplicando suas idéias perfeccionistas a tudo, mesmo ao amor.
Outro dia eu me deparei com uma frase: O perfeccionista é a pessoa que provoca grandes dores e que provoca dores ainda maiores nos outros. E o resultado é um mundo infeliz!
Todos estão tentando ser perfeitos. E no momento em que alguém começa a tentar ser perfeito, começa a esperar que todos sejam perfeitos. Ele começa a condenar as pessoas, a humilhá-las. É isso o que seus pretensos santos têm feito através dos tempos. É isto o que suas religiões têm feito a você: envenenado seu ser com uma ideia de perfeição.
Por não poder ser perfeito, você começa a se sentir culpado e perde o respeito por você mesmo. E a pessoa que perdeu o respeito por si mesma perdeu toda a dignidade de ser humana. Seu orgulho foi destruído, sua humanidade foi destruída por belas palavras, como a perfeição.
O ser humano não pode ser perfeito. Sim, existe algo que o ser humano pode experimentar, mas que está além de sua concepção comum. A menos que ele também experimente algo do divino, ele não pode conhecer a perfeição.
Perfeição não é algo como uma disciplina, não é algo que você possa praticar, não é algo que você precise ensaiar. Mas é isso o que tem sido ensinado a todos, e o resultado é um mundo cheio de hipócritas, que sabem perfeitamente bem serem vazios e ocos, mas que insistem em simular todos os tipos de qualidade que nada mais são do que palavras vazias.
Quando você diz a alguém, "Eu amo você", já pensou no que você quis dizer? Trata-se apenas de fascínio biológico entre dois sexos? Então, quando você satisfizer seu apetite sexual, todo o pretenso amor desaparecerá. Ele era apenas uma fome e você a satisfez e está acabado. A mesma mulher que parecia a mais bela do mundo, o mesmo homem que parecia Alexandre o Grande... e você começa a pensar em como se livrar desse sujeito!
(...)
No momento em que você diz a alguém, "Eu amo você", você não sabe o que está dizendo, não sabe que é apenas sensualidade escondida atrás de uma bela palavra, amor. Ela desaparecerá, ela é muito momentânea.
(...)
Mas amor é uma dessas palavras que todos usam e ninguém entende. Os pais ficam dizendo aos filhos: "Amamos vocês." E eles são as pessoas que aniquilam os filhos, que lhes passam todos os tipos de preconceitos, todos os tipos de superstições mortas, que oprimem os filhos com todo o fardo inútil que gerações vêm carregando e que cada geração continua a transferir para a geração seguinte. A loucura continua, fica gigantesca.
Mesmo assim, todos os pais acham que amam os filhos. Se eles realmente os amassem, não gostariam que os filhos fossem suas imagens, pois eles são infelizes e nada mais. Qual é a experiência de vida deles? Pura infelicidade, sofrimento... a vida não foi uma bênção para eles, mas uma maldição. E, ainda assim, eles querem que seus filhos sejam exatamente como eles.
Eu fui hóspede de uma família. Eu estava sentado no jardim ao entardecer, o sol estava se pondo e era um belo e silencioso entardecer. Os pássaros estavam voltando para as árvores e uma criancinha da família estava sentada ao meu lado. Eu lhe perguntei: "Você sabe quem você é?" E as crianças têm mais clareza e perceptividade do que os adultos, porque esses já estão estragados, corrompidos, poluídos com todos os tipos de ideologias e religiões. A criança me olhou e disse: "Você está me fazendo uma pergunta muito difícil."
Perguntei: "Qual é a dificuldade?"
Ela respondeu: "É que eu sou filho único e, pelo que me lembro, sempre que temos hóspedes, alguém diz que meus olhos se parecem com os do meu pai, que meu nariz se parece com o da minha mãe, que meu rosto se parece com o do meu tio. Então, não sei quem eu sou, porque ninguém diz que algo se parece comigo."
Mas é isso o que tem sido feito com toda criança. Você não a deixa em paz para vivenciar ela mesma e não a deixa se tornar ela mesma. Você fica entulhando a criança com suas próprias ambições não satisfeitas. Todo pai deseja que seu filho seja a sua imagem.
Mas a criança tem seu próprio destino; se ela se tornar a sua imagem, nunca se tornará ela mesma. E, sem se tornar você mesmo, você jamais sentirá contentamento, jamais se sentirá à vontade com a existência. Você sempre estará sentindo falta de algo.
Seus pais o amam e também dizem que você precisa amá-los, porque eles são seus pais. Esse é um fenômeno estranho, e ninguém parece estar consciente dele: apenas por você ser mãe não significa que o seu filho tem de amá-la. Você precisa ser digna de amor; ser mãe não é suficiente. Você pode ser pai, mas isso não significa que automaticamente você se torne digno de amor. Só o fato de ser pai não cria um sentimento intenso de amor no filho. Mas se espera isso... e a pobre criança não sabe o que fazer. Ela começa a fingir; essa é única maneira possível. Ela começa a sorrir, quando não há sorriso em seu coração; ela começa a demonstrar amor, respeito, gratidão e tudo é falso. Ela se torna uma atriz, uma hipócrita desde o começo, um político.
Todos vivemos neste mundo onde pais, professores, sacerdotes, todos o corromperam, o deslocaram, o tiraram de você mesmo. Todos o meu empenho é para dar o se centro de volta a você. Chamo esse centramento de "meditação". Quero que você seja simplesmente você mesmo, com um grande respeito próprio, com a diginidade de saber que a existência precisa de você - e então, você poderá começar a procurar por você mesmo. Primeiro, volte para o centro; depois, comece a procurar quem você é.
(...)."
Osho
Amor, liberdade e solitude
Nenhum comentário:
Postar um comentário