No ano passado, eu, meus irmãos, minha mãe e mais algumas pessoas, estivemos envolvidos na preparação de um evento em homenagem aos 50 anos de Magistério do meu pai. Foi um evento lindo, recheado de homenagens, de pessoas queridas, que não víamos há muito tempo, e de muita gratidão.
Conheço pessoas que não gostam muito de homenagens, de celebrações em geral, e eu confesso que havia perdido um pouco o hábito de homenagear as pessoas que fazem ou fizeram parte da minha trajetória.
Conheço pessoas que não gostam muito de homenagens, de celebrações em geral, e eu confesso que havia perdido um pouco o hábito de homenagear as pessoas que fazem ou fizeram parte da minha trajetória.
Em novembro do ano passado, sentei com meus irmãos para selecionar fotos para um vídeo que iríamos elaborar, e pudemos rever e descobrir registros que não conhecíamos ou dos quais não nos lembrávamos. Meu pai tem muito bem guardada, a história da nossa família, reunida em fotos de sua família de origem (nossos antepassados), de sua infância, fotos nossas desde a infância. Porém, meu pai não guarda somente fotos. Em seus vários "livros", na verdade cadernos com registros diários, mensais ou anuais, ele eterniza, com palavras, as nossas conquistas e superações em família. Coisas simples, como tirar a carteira de motorista, foram sempre celebradas como grandes conquistas; passar de ano; passar na prova de recuperação; ter meu nome registrado como finalista de um prêmio da faculdade. Lembro-me de que na minha apresentação da monografia, meus pais estavam lá pra me dar toda a força que eu precisava. Quando recebi o resultado, outra celebração. E foi sempre assim comigo e com meus irmãos: celebrando cada pequena conquista, cada superação, cada nova visão. Depois do evento dos 50 anos de Magistério do meu pai, ao ver toda aquela comoção, depois de ter mergulhado em minhas lembranças para escrever um discurso e lembrar-me de como havíamos passado por um sufoco há alguns anos, quando meu pai descobriu que estava com um tumor na hipófise, pensei em como era bom podermos estar todos ali, celebrando. Meu pai vivo e sempre muito saudável, e nós também.
Homenagear, brindar, distinguir, todos os dias, com pequenos gestos, palavras, gentilezas, delicadezas espontâneas, agradecendo pela vida daqueles que amamos, daqueles que nem conhecemos tão bem. Muitos se lamentam por não terem tido a oportunidade de agradecer ou de homenagear alguém. Alguém que não está mais entre nós.
Em novembro do ano passado, tivemos a oportunidade de celebrar a família em família. Em novembro do ano passado, eu pude recuperar o hábito de homenagear as pessoas em vida.
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