Cara, não sei, mas a ideia de ter filhos sustentada pelo argumento "Quem é que vai cuidar de você quando você estiver velho?", me parece um tanto surreal. Ou ainda "Eu quero ter um 'muleque' pra ensinar as paradas de macho pro 'muleque'". E que tal a ideia de que o Brasil está violento como está, por conta da falta de ensino religioso nas escolas? É claro que o ensino religioso ensina muitos valores, é importante para a formação do indivíduo. Mas por que não um ensino religioso ecumênico? E a filosofia, uma excelente ponte para o autoconhecimento? Afinal, como podemos nos sentir plenos neste mundo se não nos conhecemos, se não nos questionamos, se não questionamos o que nos ensinam, não refletimos para, consequentemente, evoluir?
Cresci sob os fundamentos da religião católica, não renego, apesar de ter tido alguns momentos de revolta, apenas aceito que hoje é algo que não faz mais "parte de mim". Percebo que hoje, ajo de forma muito mais consciente do que quando me submetia a uma religião, a uma doutrina que me dizia o que deveria fazer, e que se não o fizesse, seria punida por isso. Eu precisei questionar os dogmas que foram de certa forma impostos na minha educação, para poder me sentir plena e responsável pelos meus atos. Fui criada em um ambiente tradicional, conservador e católico. Meu pai era irmão missionário, fazemos reuniões semanais em casa (eu, pai, mãe, irmão, irmã), e vivemos em harmonia. Mais harmonia do que nunca, cada um respeitando as escolhas do outro, e tendo liberdade para se descobrir. Será que teria sido assim se eu tivesse continuado minhas idas a Igreja para agradar meu pai? Talvez. É contraditório, pois sempre tivemos ao nosso alcance os ensinamentos da bíblia, as parábolas, e somente entendi o verdadeiro valor das virtudes e dos ensinamentos, após me voltar contra elas, questioná-las; "Devo ser bom por culpa, por que me pedem, ou por que isso é uma escolha minha?"
Sim, algumas pessoas podem não sentir isso, mas eu sentia quando me considerava católica, sentia muita culpa por tudo. Culpa, medo. Quem sabe eu não teria conseguido continuar indo pra igreja todos os domingos? Acho que não. Por mais que eu me sentisse bem naquele ambiente, gostasse muito de cantar aquelas músicas de louvor, gostasse de todo o simbolismo dos ritos, o fato de não concordar com vários preceitos, e o fato de me sentir culpada e temerosa se eu os desobedecesse, e perceber que não era assim que queria viver, me fizeram renunciar. É claro que neste meio caminho, li vários livros que me ajudaram a me questionar, a questionar meu papel neste mundo.
Hoje tive que ouvir que o "liberalismo" é que está aumentando a violência. Será? Será que as coisas não estão evoluindo, as pessoas estão se encontrando, e que o que falta é equilíbrio?
E será que eu devo ter filhos com o intuito de ter seres humanos que um dia irão cuidar de mim? Ter filhos, pensando na licença-maternidade? Devo ter filhos porque a religião me obriga, pelo bem da família tradicional? Devo ter filhos para preencher um vazio, como muitos fazem quando não veem sentido na vida? Devo ter filhos só porque faz parte do cronograma inconsciente? Para alguns é uma afronta, dizer que não quer ter filhos por enquanto, ou que não quer ter filhos.
Filho é coisa séria, e antes de ter um, é preciso ter condições favoráveis ao crescimento e sustento deste, comprometimento, e, claro, o mínimo de equilíbrio emocional. O mundo precisa de autoconhecimento. Salvaria muitas vidas.
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