domingo, 25 de novembro de 2012

    "Estamos todos vivendo de acordo com ficções, poesias, histórias de cinema. Isso deu à humanidade uma impressão errada, a impressão de que, quando existe amor, tudo se encaixa, não existe nenhum conflito. Durante séculos, os poetas têm transmitido a ideia de que os amantes são feitos um para o outro.
     Ninguém é feito para ninguém. Todo mundo é diferente de todo mundo. Você pode amar uma pessoa sem saber que a ama porque vocês são muito diferentes e, por isso, existe uma distância muito grande. A distância é um desafio, é uma aventura; a distância faz com que a mulher ou o homem pareçam atraentes. Mas as coisas vistas a distância têm uma aparência diferente de quando vistas de perto.
     [...] E nos transmitiram, desde a infância, a ideia de que marido e mulher estão sempre em harmonia, tudo sempre vai bem, eles estão sempre juntos, se amando, sem brigas. Toda essa ideologia é um problema.
     Eu gostaria de lhe dizer a verdade. A verdade é que todas as pessoas, sejam quem forem, são indivíduos diferentes. Se você ama alguém, tem de entender que essa pessoa não é a sua sombra, não é o seu reflexo no espelho, ela tem uma individualidade. A menos que você tenha um coração grande onde caiba alguém diferente de você, que possa ter ideias diferentes sobre as coisas, é melhor não arranjar problema desnecessariamente. É melhor ser padre ou freira. Para que se aborrecer? Para que criar um inferno na vida do outro?
     Mas só se cria o inferno porque se espera o céu.
     Estou dizendo para aceitar que a situação é esta: a pessoa vai ser diferente. Você não é o mestre, nem ela é; ambos são parceiros que, apesar das diferenças, decidiram ficar juntos. E, na verdade, as diferenças apimentam o amor. Se você encontrar uma pessoa igualzinha a você, não se sentirá atraído. A outra pessoa tem de ser diferente, distante, um mistério que lhe convide a explorá-lo.
     Quando dois mistérios se encontram e não existe mais a ilusão de que têm que concordar em tudo, não há mais razão para brigar. A briga surge porque vocês querem concordância.
     [...]
     Não é preciso mais do que uma amizade. O amor tem que se tornar uma relação de amizade em que ninguém é superior, ninguém vai decidir nada, ambos são conscientes de que são diferentes, de que a sua visão da vida é diferente, que pensam de modo diferente e ainda assim, com todas essas diferenças o casal se ama.
     Desse modo você não vai ter nenhum problema. Os problemas são criados por nós.
     Não tente criar algo sobre-humano. Seja humano, aceite a humanidade da outra pessoa com toda a fragilidade a que ela está propensa. O seu parceiro cometerá erros assim como você, e vocês precisarão aprender. Viver junto com outra pessoa é um grande aprendizado: você aprende a perdoar, a esquecer, a entender que o outro é um ser humano como você. Basta saber perdoar.
     [...]
     Mas ninguém quer dizer, "Eu estava errado". Você sempre quer estar certo. O homem tenta provar por meio de argumentos que ele está certo e a mulher tenta provar por meio das emoções que ela está certa - gritando, chorando, soluçando, derramando lágrimas. E na maioria dos casos ela vence!
     [...]
     Abandone a ideia de que tudo tem que se encaixar, abandone a ideia de que tudo vai ser uma absoluta harmonia, porque essas não são boas ideias. Se tudo se encaixasse perfeitamente, vocês ficariam entediados; se tudo fosse harmonioso, a relação perderia todo o tempero. É bom que as coisas não se encaixem às vezes. É bom que exista uma lacuna para que sempre haja algo para explorar, algo para superar, e uma ponte precise ser construída. A vida toda pode ser uma grande exploração mútua, se aceitarmos as diferenças, o caráter único de cada indivíduo e não fizermos do amor uma escravidão, mas uma amizade."

Osho

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